domingo, 9 de novembro de 2008

Formosa

Alva filha das doces flores
Desperta amores nos lábios do Sol,
Campo donde nascem arco-íris montes cores,
Formosas sensações, glúteos escaldantes.

A Natureza sibila
Ela faz disso um espetáculo
Que a Natureza toda ri.

Ander 09/11/2008
(Escrito em uma manhã de domingo).

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Irmã dos bosques Satyros.

Sussurros ondulam o ar num beijo
Até sangrar o dedo de vil espinho
De tempo é incompreensível desejos
A introspecção num copo de vinho.

Tela remota de preto e branco,
Desbotado. Singularmente triste,
Um homem senta num velho banco
Milhares de anos de escuro veste.

E triste caminha o Sol num alegre nevoeiro
Uma Inquietação rumo Norte de 19 anseios
A Alma encanta no fulgor primário dos seios.
A lacuna que outrora o corpo caiu em devaneios.

Incerto, cambaleante alma sonora,
Apertos na tumba que separa os ossos
Renascemos nos jardins de Evas pecadoras
Rios, colinas, um tapete verde cobrindo os fossos.

Minha carcaça agora é um fardo escuro
Prisões encerram a vista redirecionada
Na direção de quilômetros de estrada
Separa um rugido de outro rugido.

Abrimos caminho entre a mata e vazamos nossa sina
Face linda e os olhos separados uma mesma sintonia
Irmã dos bosques Satiros, ninfa das mais cristalinas,
Sedição, quarto do infinito, lábios puros de Driely.

Ander 28/11/2008.

Gláucia.

Do ócio de minha existência cética, derradeira,
Passo o dia a devora-lhe a beleza nessas pinturas
Toda a escoria do mundo são girassóis de madeira:
Entregue as crianças num mundo de esperanças futuras.

Há no céu uma luz eterna, imensa e divina,
Que o tempo a conversou, a amou menina,
E deu as mais diversas formas, estruturas finas,
Clarões intensos, almas-gêmea, a pele feminina.

De linho antigo, manuseado, cobre o corpo intocado,
Fios que descem e escorrem pelas águas, um rio vermelho...
Pintura a óleo. Embeleza a tez, decifra os olhos. Sensualmente de lado,
Volve-se, tenra idade, a chamo também de Alice no mistério do coelho.

Mergulhe a alma na mística da inconsciência,
Desça nas penas fantásticas das andorinhas,
No amanhecer o sono amante da paciência
Há levou – agora em luas - e a coroou rainha.

Ruiva condessa prisioneira da triste sinfonia
Os anjos que a cuidavam a levaram nesse dia
De pranto as nascentes e a paz em ventania
Introspectivo inverso reversa que o amor não tardia.

Emoções talhadas, artesões de fadas atribuídas,
Claras, límpidas, róseas cores, tez de minha amada,
O coração é todo sentimento para todas as saídas,
Introspectiva e pele macia de róseas Gláucia.

Ander 16/10/2008

Sem título.

Sou um tentáculo de um bilhão de tentáculos
Dessa criatura pai e funerária que é o Estado
E se morrer, Ander, nascera outros mil... Outros mil tentáculos
A política é a matéria do fenômeno
E o homem estrela individual, é tão fundamental quanto,
A onisciência cósmica de um feno.

Ander (sem data)

Sem título.

Deixaria-me dormir até mais tarde
Naquele caixão pequenininho que construirão
Feito de folhas de palmeiras de qualquer coisa que a terra cede
Há tanta pressa que se tem lá fora, quero uma vida sem computadores.
Prendedores nos varais secando os jeans. Quero me encontrar com a merda (aquela que não fede) Dos gados adubando a terra sem ronco de motores.
Talvez se um dia eu me voltar a isso, eu poderei dizer que sou eu.

Ander 29/11/2007

Vanessa.

Não sei que eterna voz é essa
E que cânticos lindos esses me elevam
É de suas cordas, meu arcanjo Vanessa...
Assim por dentro vigorosa e lá fora levam as rosas.

Aspectos assim um pouco, taciturnos, melancólicos,
De sua face de cristais celestes, adornadas vestes que estas no céu...
E este anseio me envolve e o medonho se dissolve e tudo são cantos líricos,
Que perdido em teus seios cometi todos os meios, do amor, para ter o amor seu.

E o pensamento assim se vai, num leito triste de solidões que no mundo existe,
De carinho e afeição, que as mãos no peito recolhe e dificilmente se dorme,
A ansiedade em afagar os lábios teus parece eterno e tão vil, distante,
Que morro! Mas não sem ter os toques teus. Estes seriam meus crimes.

Imagino a pele donde meus pensamentos agora velem:
Da luz de teu corpo, um arco de fogo dum divino terno sopro:
Hipnotizando sedutoramente o mundo todo, essa estatueta nos jardins do Éden,
Eu, o errante dos vales, fruto da mortalidade, a endeusa, vinda da Grécia por aqueles mares.

Oh! Vanessa! Sou o Titã que carrega o planeta para te dar alivio,
E vou até a janela, a abro, o externo é seu interno, admirado, altivo e belo,
Como a serei que canta e o marinheiro que levanta na popa de um decadente navio,
Vou, me perder nos tons vermelhos, mergulhando, até a terra do oceano para pentear os teus cabelos.

Embora, retorno a esse ponto de paisagens noturnas e sem cheiro,
Amanhã clareia o dia e sinto num estado de espírito o perfume dissipando,
E a imensidão vermelha ventando rente aos olhos, nessas águas dançando o veleiro,
O arco do cupido tende a ser certeiro. E que nossas almas ele vai devagarzinho sondando.

Ander 2008-09-17

Susana.

Destes anos que Sucedem,
E te sustenta numa Cruz,
E tudo que na pena medem.
É Porque não existe luz.

Na contagem conspurcada,
Deram-te 33 costelas gastas,
Que apego todas elas declinadas,
Maltratada a beijo nos idéias cruéis dos poetas.

Existe uma mudança,
Tão sucinta que mal se percebe,
É quando desdenhamos a esperança,
E vamos direto a água que se bebe.

Mas a face triste que me olha,
Trás no espinho de quem sou,
E o que sinto são as leis da Natureza,
E o que sinto também são as leis do Amor.

E esse rosto de amarguras resplandece,
Quando as leis fúnebres se invertem,
E o ar gélido da Morte padece,
Num fenômeno lindo de seu sorriso... Carpe Diem.

Ander 16/04/2008

Sem título.

O coração tem catedrais enormes
Donde o homem que o percorre o também descobre
Descalço, a tristeza é os pés que o cobre.
Em qualquer momento o também consome
A tristeza que atinge o homem é a mesma
Que mesmo por alguns instantes a também a tem
E quando tem isso aquém, torna-se singularmente belíssima.

Ander 19/10/2007

O Cabelo Azul.

Os sulcos do solo filho... Consuma,
Embebe-se nessa fonte... Curva teus joelhos,
Essa raça é a forma escura... O individuo a chusma,
Que se reproduz com a ciência do espécime dos coelhos.

Dos frutos das arvores aos pratos finos,
Consuma... Consuma do que foi outrora símio,
Gaste a vértebra das flores e cante altos teus hinos,
Macaco Pelado Cretino, ao universo o peso do ouro é ínfimo.

Consuma o glamour do tabaco, tão fétido quanto o gás do reto,
Consuma essa lataria de rodas que do homem o faz aleijado,
Consuma Cheetos, Doritos e Ruffles, Trakinas e mentos,
Consuma a si próprio devorando a própria identidade.

O declínio da esfera o abismo regurgita,
A decadência desse espécime alcançou o seu limite,
Pudera Eu abraçar num beijo intimo uma ilha,
E começar, reintegrar – a fora da utopia, uma clara anarquia.

O cabelo azul como o céu e o rosto belo,
O clima absurdo do mundo que precoce a envolve...
É inerente ao lodo do governo quanto a quem monta um cavalo,
E a força de quem aponta um revolver.

Todavia é lapidada porque abriste o olho
E enxerga aquilo que é oculto aos tolos
Mesmo que a inocência ainda perca o brilho,
E a inumanidade tenha em absoluto um trono,
Que seja em seu coração sempre a mesma pessoa.

Ander 16/03/2008

Pétalas dos lábios.

.

Por essa moça bela,
É desatinar os sentidos,
Soltar os sentimentos contidos,
E se for mulher onça amar-se mais a ela.

Pouco tempo nesse conto,
De graça Josy em flora,
Serei de devasso a homem santo,
E ainda a conheço nessa hora.

Leves delicadas pétalas dos lábios,
O selinho a expulsar-me de teu rosto,
Banhar-me em vinho e assobiar desgostos,
O infortúnio de não tê-la e ir uivar com os lobos.

Abraçar-lhe os ossos em anseio
Desse corpo perfeitamente belo,
Ulna, radio, metacarpos, clavículas me veio,
No interno aconchego de seus órgãos serenos.

Ah! Se ao fim do inverno e o calor dos astros,
Ambos juntos em importantes disparates,
Não alcançaria o que me inquieta por dentro,
E da desistência (que talvez eu tivesse antes) não fará dessa vez parte.

Permita-me pelas canções eternas,
Conquista-la em vias claras lindamente,
E na escuridão ainda ter lanternas,
Para iluminá-la Josy eternamente.

André 17/03/2008

Susana.

Meus dedos caem aos grãos de areia,
E pelas batidas do mar o pranto ecoa,
Cada praia é uma galáxia derradeira,
E cada grão de areia lapide de pessoa.

Estou a sós com essa sombra minha que tudo odeia,
De mim a rocha e ela a sombra na areia,
Quando sobe em mim – e eu sou todo esse coração de pedra,
Numa eloqüência extraordinária, canta, canta minha sereia.

Dum acaso onde avancei nessa rede digital do mecanismo,
Tão grande a sedução, o abismo e a dor no nascimento,
É reavivar o coração do preto mergulhado no niilismo,
Acompanha-la no crepúsculo um único pensamento.

Pétalas nas Águas mornas banham a sua essência,
Esbelto o corpo que rompe a pele da superfície, submerso...
Arquitetos na abobada tremula do céu em penitência,
Linhas desenhando-a, adornadas mãos artesanais do universo.

Numa eloqüência extraordinária, aguça a alma minha flor,
Com calda de serei ou revista a areia ou corta o ar num vôo,
De onde vêem os sons, os sinos e todos os vádyás dessa dor?
Na timidez do tempo sempre a amei, desconhecendo-a, no tino de quem sou.

Das chaves de Seixas as penas duras de Schopenhauer
Há! O tilintar nas vísceras do Poeta da carnificina humana,
Há delírios e suicídios, dor, amor, rosas, esferas e espinhos,
Tudo na Natureza a Impulsiona em Sua Grandeza Susana.

Ander 23/03/2008

O poeta que é poeta.

Interna na essência mística de uma fêmea,
E nas brasas a virilidade tesa de um touro,
E nunca pela capacidade dentro do útero não semeia:
Por que doravante é a forma estúpida do mau agouro.

Há no ar partículas que talvez não as compreenda ainda,
Intenções versas à Natureza que só os homens de finos tratos a compõem,
Eles descem, tecem e mordem o Éden mais valioso da vida,
Claros, transparentes, potentes e mórbidos. Há o Sol que se põe.

O poeta que é poeta tem a alma e a lasciva feminina,
Ele imortaliza as dores da desgraça e esculpi a sina,
Numa singularidade ímpar, na dança dos possessos ele peregrina,

Mas quando arranca o lençol daquela que repousa,
Curva um cavalheiro perante sua amada esposa,
Enfoca e é mais sensível: Susana Su a musa.

André 26/04/2008

Ana Elisa.

Quanta face esconde e cada uma bela por um artista,
Tenho três quadros de seu rosto, cada um contendo uma Ana Elisa,
Que perdido ao vento, mas em meu pensamento, sempre a tenho em vista,
Linda, e posso algumas vezes trazer essa pintura do breu batendo as asas lisas.

Tão mistério, coberto de negro é a distancia de cadáveres,
No tempo a toda a raça viva é curta, como encurta nosso tempo,
De um pouco mais de um ano ou dois e nem somos tão longos quanto a arvores
Mas a conheço como se da infância fomos separados dos campos.

Melancólica é a chama do castiçal que se despede
Taciturna a noite da partida quando lhe escrevo em sede,
E imagino sombriamente a nevoa que distante a envolve.

Tão distante. A distância que cruza o oceano,
De quem em meu toque mundano queria afagá-la de mãos límpidas,
E morrer em teu amplexo Ana Elisa para assim ser também eterno.

Ander 24/01/2008

Amores.

Inclina-te paspalho ao batimento cardíaco do peito
Afugenta estas mãos a matemática imutável e a lei física
Que com esse punhado de amor recolhido em semblante eleito
Numa condição amargamente não reconhecida e um tanto tísica.

Viu e sentiu e teve e despiu os bustos dos pomares
Das amantes... Neste amplexo a amplitude ao vácuo de um velho
Ao céu um lampejo intenso ao breu voltou à pele dos mares.
O sentimento esvaeceu e foi com teu brilho loiro em tom vermelho.

Vou maculando uma extensão rala com sangue preto
Amei todos os amores da fantasia adolescente no congelamento do tempo
E por amor veio a morte em cavalo de assombro decomposto
Persegui-me incansavelmente como a faminta serpente ao rato dos escombros.

Ah! Fendas à carne dilaceram os arcaicos atrozes
Que despertam nos corações vorazes no encéfalo das mulheres
A corcunda do varão singularmente belo dado aos prazeres
Sondável conquanto imperfeito seja o circulo que tu fazes.


Ander 21/07/2007

O Amor Converte.

As pétalas cálidas, alinhadas, brandas, pálidas,
O ardor, o fervor, o perfume dos campos adornados em flores,
Tão intenso que modela o incenso dos animais incolores,
As pétalas dessa flor vão-se em embrulho vermelho.

O sono no seio afetivo da dor acolhe...
Na abobada noturna os riscos em raízes perpetuando,
Como a ancora descida no seio vestal do abismo recolhe...
É meu corpo a embarcação luto, abandono e leviano.

O amor pudera eu compreender seu significado,
Quando o pranto que brota ameno no sitio fechado,
E mesmo quando atiro em berço é um berço oco, mumificado,
Quem dera o homem, originaria estrela, ser miseravelmente apanhado.

Oh! Joguete das coisas, por capricho e formalidades quer dar amor a tudo,
O amor convertido em ódio e o ódio também feito de amor,
O amo demasiadamente em culto quando o homem é ser afortunado,
E ser afortunado e doravante entre amor e morte ainda ama.

Sua presença me faz criança em dias chuvosos e melancólicos,
Mesmo na distancia e indiferença que findaram nossos corpos,
Um aperto, um soluço, vagões descarrilados, barris vazios de óleo,
Sonhos desfragmentados. Pudera apanhar-los, recuperá-los, refazer os farrapos.

Ander 20/02/2008

Inconstante.

Es o anjo em pompa no ninho de uma ave putrefata
Lúgubres imagens de imensas arquiteturas góticas
Incumbida a um corpo de manifestações libidinosas
Oh! Angel, de infância mortuária, sedenta e vasta.

Desce ao abismo das almas agonizantes, vis, suplicantes.
Para em sua ira, todavia aconchegante, às almas flagela.
Oh! Angel, sedutora, excitante, a procurei incessantemente na miséria tocante.
De uma era; a juventude minimizada e cega quis eu morrer de febre amarela.

Para vê-la assim informe, inconstante simbiose.
Distante que esta de mim; somos vitimas da vida e amantes da morte.
Inconstantes... Assim a quero, a nudez resplandecente que tem tamanha posse...
Desse semblante belo e moreno. Gozemos ao ataúde da raça decadente que chamamos de humanos!

Esferas incompreendidas, do brilho da lua, cadavéricas testemunhas.
Do Império dos MORTOS, o sangue sujo e esquizofrênico Michele.
Um encontro noturno no cemitério vai uma sádica á me sangrar com as unhas!
No horror da sociedade contemporânea, estereótipos, arranco-lhe a pele.

Vai ao alto pairando na fumaça de seus apetitosos lábios
A devassidão, a blasfêmia, as viciosas e sátiras bestas.
Fornicando na superabundância do zero, os filósofos e os maldosos.

Ah! Latrina humana, resíduos miasmáticos e amor à misantropia.
Amo te, nevoa de meus sonhos, tu és meu quadro onírico.
Percorre meus últimos sonhos, pois pereceremos unicamente ao mundo branco.

Fugaz a o pensamento, morrer quero a seu colo sempre e reviver morrendo novamente.
Fugaz o humano sempre, abrace-me em seus braços quentes Michele, para sermos serpentes.

Ondulante, entrelaçando o vácuo melancólico do Universo.
Sonda-la hei senhora, da necrópole donde vivo, dos jardins que tu moras.
Uma saliência na vontade humana, espécime cara, filha de Pandora.

“ - Cortei-me o pedaço da alma, bem onde Deus ressonava
E dissipei a luz do pensamento, no obscuro ápice do momento.
Afundei-me na perplexidade do meu eu e no atroz da saliva
Vou negando a vida por que sou uma complexidade negativa do firmamento.

Oh! Límpido e lapidado nada, senhor de meu coração em chamas.
Espíritos que inflama, dezenove anos de uma vida mansa? Não espero nada”.

Ander. (sem data)

Fabiana.

Lívida escultura dos desertos mornos
Tua boca regurgita um demônio infame
Teu ventre reflete o emaranhado dos tinos
Numa contemplação em meu coração enorme.

Ilha de escândalos e o mar é sangue pútrido
Meu amplexo é puro e este amor incorrupto, Fabiana,
Donde o pranto arregaça o peito...
Escombros de ratos e cidade fantasma sob luna,

Águas do Nilo antigo; sua íris esverdeada e elevada.
Tu não és dessa época, de incompletas e carregadas feras...
Que rugem ao abismo... Não! Somos filhos da inocência em Pandora
Excomungados de solidão e exilados numa terra nevada.

Enlace-me pela terra noturna, nos guia gentilmente a Natureza.
E vou te vendo assim melancólica numa ponderação profunda.
E pergunta “- Só a alma insana, é verdade, és fortaleza?”.

Retorna assim em cova, ÓH! Loba em penhasco em sangue.

Posses vazias como águas em mãos, amanhecem.
Pior deveras; como um deformado em noite de inverno.
Todo aquele, pois, que em teu leito veio entardecer.
Ficaram em jubilo... Mas jamais tiveram como eu estive em você.

Lacrado este peito, deveras enegrecido, deveras sofrido.
E nenhum homem ousou tê-lo porque é complexo...
E terrivelmente belo.




Ander 26/03/2007

Andressa.

À noite escrevo (Um dia após ou a esse antes que possa eu a estar romantizando)
Aonde não sei, não me interessa, sei só que terei o piso liso,
O teto que não me deixa, sempre de cima lá me olhando,
Penso, penso. E o pensamento em curto, fica circuito confuso.

A coloco no lado do cérebro do sentimento, mas esse lado esta birrento,
Insisto que é diferente, é alguém que tenha mente e que possa cuidá-lo,
Já estou a caminho aqui sentado e a sinto em meu intimo em toques lentos,
Beirando para o ladinho esquerdo do vento antes que seus lábios ele possa levá-los.

Embora não lá (que mania de querer saber o destino) Estou aqui vendo transeuntes:
De aceso atino, iludindo, escrevendo, trapaceando, vendo o tempo correndo,
Vendo figuras, ansioso, empírico, num enxame de tantas coisas loucas desse mundo.

Um pouco frio, agora é um lindo e quente dia em sintonia com todos os corações,
Mas apenas um que me alinha quando penso nessa “sintonia” do qual não o tenho em mãos.
Fecha-lo e num instinto primitivo a poder amá-lo.

Ander 16/12/2007

Valéria.

A perplexidade minha que se manifesta agora
Quando o sono dissipa acordando a alma
Uma jovem que do acaso trás as 08h14min agora
E quando vejo seu rosto e vejo que a conheço outrora.

Perplexo duas vezes, como uma aréola, faz se uma interrogação
De uma diademense (e o povo diademense a mim são vãos)
Todavia se saiu da caverna (esse monstro horrendo devorador de indagação)
E por um segundo de meu deus do acaso passou rente descalça em grãos.

O tempo (esse filosofo concreto e também místico) sorri desvairado Valéria
Porque em tal linha corroída do nascimento ao envelhecimento das criaturas vivas
É infinito e carrega nos braços os astros (obscuros a nossa raça) vira logo poeira

Teremos muitas coisas em comum como Paul e Juliet tiveram
Se suas guitarras forem às tristezas do oceano e a natureza da vontade,
E a natureza física (que morre, mas junto de seu cadáver levara os homens)
Tocarem-te alma, mas não alma lodosa das religiões, ou de qualquer alada cidade.

O vento, o silêncio que eterno espera, e uma dor gráfica do crepúsculo,
Convulsiona as rédeas de todos aqueles que se inspiram nelas, mas elas estão ali, sempre calmas. Minuciosamente a vida é sem sentido em todos os séculos
Persistimos e o que extraímos do sofrimento da terra, bela e ponderativa Valéria?

Ander 02/12/2007

Daiane.

A distância é concreta, é matemática, não é poética,
E quando se distância uma solidão corroe por dentro,
Não se vá, permaneça. Tuas palavras de tal conflito, de tal ética,
É do que preciso para amenizar minha alma adentro.

Quando por ser animal social que sou converso,
Os sons alheios. E o vento para longe se encarrega...
E parece que vivo num monologo sem que ninguém perceba...
Intimamente relembrando as palavras que outrora você me entrega.

És bela e penetrante, mas não sei como e não fui homem a este presente,
E me envolver em tua mente me abrindo em sangue grosso extasiado fortemente
Por te a encontrado, e avigorando sabiamente o quanto a humanidade padece.

O tempo ao qual eterno escrevo recolocando minhas magoas em teu peito,
Pelas mulheres sem espírito como mortas vivas que, em equivoco um coito,
Cria o vácuo, o limbo, o nada, e do zero posso? Beijar lhes os pés claros.

Ander 26/10/07

Vagner.

A moldura dos séculos conservou-te como espectro
A aparição que espanta e excita as formas vivas
Lúgubre, este olhar vagaroso e licencioso e eletro,
Manipulando nos bípedes nojentos os falos e a as vulvas.
Seu rosto e de arquitetura demoníaca, gráficos retos,
Em que o sol de romance ao escuro, se amou com o intuito,
De ter sobre a terra pútrida um filho único.

Ander 02/11/2007

Andréia.

O Funeral da Esfera Cinza
E o Nascimento de uma Lúgubre garota.


O funeral das esferas melancólicas do universo
Fez-se quando a terra ardeu em cinzas
E o pranto dos oceanos encharcou em versos
Se banhado em sangue espesso de almas frias.


Pelo espaço como pó de lindas estrelas
A existência solilóquio há viu um dia
Um anjo sem destino pela atmosfera
Vagando absorta numa contemplação divina.


A terra sofrida, solenemente esculpia teu crânio e espinha.
Dando marcha ao peito, o coração negro. A terra escolhia...
A terra escolhia átomo por átomo o teu corpo construir
No término de teu feito vestiu-a com pele, Andréia, de uma rainha.


Eu, este cadáver antropófago, do tédio da carne humana.
E em todas as paixões da vida, fui negligenciando uma por uma.
No entanto a terra suspirou e estendeu as mãos ao infinito
Impelindo minha alma morna a retirar as vestes negras do luto.


Formosa vem, Oh! Cândida menina, tão bela e cristalina.
Vem do espaço, de um céu obscuro e vasto descer sobre as colinas.
Como o anjo mais belo e as asas do Inferno, contemplarei teus lábios,
Os fios cacheados e a vontade em ser para os já mortos... Assassina.


Ander 10/ 06 /2006

Cris.

Amargo são os passos e quanto mais pesados
Do homem que a todas que lhe dêem um sorriso se entrega
Aquece o leito, sacia os desejos, beija a carne e olha os lados,
Numa ponderação de uma pessoa falsa ele reconhece sua chaga.

Vai de um ponto a outro e seduz a todas com seu charme
E numa noite de jubilo numa cidade como São Paulo
Os mundanos esparramados um aos outros se comem com enorme fome
Saciam o corpo, preencham o estômago, mas depois se calam.

Sozinho, numa solidão de cemitério, num leito vazio sem brilho,
Ele acorda se afogando... Se afogando em lagrimas num deserto da alma
Aonde não se possa chamar alguém que ama, pois ninguém nunca amou.

Não quero eu ser este homem que petrifica o coração (e meu coração se edifica)
Para carregá-lo como pedra. Quero Cris pequena, leveza-lo como pena,
Viver cem anos, e ainda amando na vivencia, nas lembranças, nos sonhos.

Ander 01/12/2007

Vida e Morte.

Tão bela é a morte que enamora
A vida que te leva vagarosamente
A vida e a morte, Alyne, num duelo sempre.
Sempre duelando, irmãs existenciais que nos perturba a mente.

A incerteza é a vida que vem lá do berçário
No fenômeno extraordinário do nada
Quanto à morte, esta que nos leva ao cemitério.
Em assombro, revelações, permuta ao todo ou em cada.

Rodrigo 08/ 07/2007.

Minha data.

Esquelética criatura em pedra escura lança a marcha
Num matrimonio a miséria e a fadiga aguarda
Minha alma quarta ruína, flor, pela misericórdia murcha.
Um odor da face morta e pele calva é minha amada.

Busco o principio do abismo a conserva meu éter
No pandemônio dos jardins de Deus, distante dos jardins do Éden.
A soma do Universo sobre a chusma humana é não pretender
E no meu último intimo recuo e evaporo por compreender.

Banal é a opulência do organismo que não se agrega ao caos
Escandalizando um coto espírito de ato teatral
Como o homem que fede e a mulher que precede um estranho mal.

A solidão, tenaz em vida, me olha meigamente seduzida.
Um beijo, a Angina e o estado catastrófico do peito.

Ander 03/05/2007

Sem título.

Sem titulo.

Encolhido e sem fala,
Não sei como olha-la.

É mulher pronta, eleita,
Eu um moleque besta.

Que não sabe muito bem,
Como e onde, talvez do além.

Você Joana existe, e quando fala, fico triste,
Porque se eu não a tê-la, não quero mais ninguém.

André 19/12/2007

Joana.

Sons de águas doces, águas limpas transparentes,
Voz molhada, transbordante, flautas artesanais,
Tocadas entre a fauna, a flora, macia e absorvente,
Segura. Entretanto a inocência e beleza joviais.

Meu coração se desprende do plural do amor
Por que o amor é eterno vivenciado e singular
Dado ao toque, as vibrações de seu lábio inferior,
Vou os tecendo nos pensamentos dentro olhar.

Cantos, prantos, orquestras, em cada silaba,
Moldando a voz circulante no ar que o silencio admira
Pondero a voz de sua enorme boca instrumentando liras,

Partículas de água é o choro dispersas de céu sombrio
Onde o frio acolhe minha alma nesse romance de Isolda ou Joana
Molha a calma plácida, alta, num balanço e enxurrada dos rios.

Ander 13/12/2007

Joaninhas.

Na vida quando procuramos à beleza
Olhar campos vastos no colo de quem ama,
Fácil é de achá-la em dia de sol ou de correnteza
Se o coração fica claro e arde, em enormes chamas.

Dispor-se as feridas sem receio ao beijo alheio
Ser um homem sem política e amar com consciência sã e alucinada,
Deitar o corpo em corpo em rentes faces, em rentes seios,
Saber o quanto antes, a feição e carinho da pessoa que é amada.

Onde, das faíscas de uma noite total lúgubre, cresceu em mim um fogaréu gigante,
Possa haver em meu amplexo a beldade de cachinhos eterna em versos
Escrever em deleite. Sou menino, repentino, que velho estava ontem.

Espalhar a nevoa envolver o possível em pés de sonho vereda,
Sonhos, veemência, pulsações na margem da ilha para o oceano,
Esfera luminosa de alcunha; a Lua; mística, pomposa, adorada.

Tudo é mais humano que o concreto também é a fome de quem é sozinho,
Como bilhões que vêem a Lua e o clarão amaldiçoado repetido dos dias,
Possa as mãos de um imberbe conduzir o coração de uma mulher joaninhas.

Ander 18/12/2007

Nascimento.

Não me lembro ao completar o infinito
Apagar as velas de meus sonhos
Entrar no quarto aonde jaz pilhas de mortos...
Se decompondo... ... Eufóricos, sem acanho.

As paredes do céu se mofam
As estrelas de molestam
Entre eu e elas o tédio nos separa.
Entre eu e elas nada se inflama.

“Tantas tolices que cante ia, que desgosto!
Do sorriso é que é que se erguem construções
Dance embriagado até pelo aroma dos esgotos
Embriagado de aroma não de vândalas maldições.”

Desse meu eu maldito exposto
Desejo dissecar em tamanho nojo
Escarrar em nossa artéria aorta
Rejeitar o presente do Deus sujo.

A sujeira sim em minha alma
Entre meu sentimento de amar
A sujeira sim em meus grotescos lábios...
Meu beijo, meu ato de copular.

Entre meu estomago, entre meu peito.
Toda a extensão da cútis. Espírito...
Corpo, corpo, resta corpo, apenas corpo... ... ...
Corpo finito, decomposto entre pilhas de mortos, de mortos, mortos.

Ander 25/01/2003

Teresa.

Parte 1.

(Antes de conhecê-la)

O enigma desses olhos concentra uma tristeza
E o corpo é a chama de uma mulher pastora
De um silencio mortal aconchega tal cruel incerteza.
De quantas vidas poderá ter ou de quem é protetora.

Minuciosamente uma deusa, a observo a contemplá-la.
Um vivo por do Sol na adolescência da morte
Que na margem da vida quero, eternamente ama-la.
Para assim descer no sonho mais doce e profundo forte.

Dessa pele demasiadamente límpida e suavemente pura
É o foco do ajuntamento das artes e de todas as belezas
Como a dama da seriedade espantosa dando ao mundo uma cura.
E o céu se abre em santos e de tantas riquezas e encantos.

Todavia permaneço pensativo e o mundo essa esfera sem sentido.
Sem o toque seu, seu amplexo ao meu numa coloração divina.
Qual será tua graça? Chamaria de belas das mais belas,
Sem pudor no peito, sem pudor contido.

RODRIGO 12/04/2007

Teresinha.

Leve alma de sono e claros imensos oceanos
De rosas e flores e canções que entoam arcanjos dos campos
E vêm os ventos bailando em seus loiros cabelos num sorriso amplo
Ressonando nessa pele que minhas mãos tanto a querem por muitos anos.

Delicadas pétalas, tão finas, transparentes vestes.
Em que meus olhos sobre seus poros como pintura
Define centímetro por centímetro bela e pequena escultura
Repentinamente a mim como um anjo Serafim vieste.

Fruto perfeito da arvore distante, inclino-me em teu alcance.
Nem mulher e nem menina é a fascinação fruída de exuberância
Para dentro é mistério. Sou teu sangue, resfolego e o seu alicerce.
Do antagônico destino em minha alma: uma fragrância mansa e calma.

O vendaval o espírito do homem em ardência consome
De delito meu coração, consiste da certeza de guardá-la, Teresa.
O alicerce é a ardência dos sonhos... Sem licença eterniza teu nome...
Teresa, Teresa. E dessa seriedade espantosa revela me gargalhada incrivelmente gostosa.

Hoje é ambas Terezas e ambas mutuamente as mesmas
Silenciosamente como outrora ou emotivamente como agora.
Nessa cidade, esse manto corroído de maldade, é Diadema!
Neste acaso, contemplo aos teus olhos abundantes de ternura.

Rodrigo 14/072007

Hora Cássia, hora Frida.

Seus pés de espectro vieram à noite, leve, pomposa, obliquamente.
Tocando-me a fronte morta, mente a mente, com seus dedos inexoráveis e sombrios.
Por dimensões distantes, esferas lúgubres, taciturnas e arfantes.
Que nossas almas em língua antiga, pagã, dionisíaca, numa dança um tanto singular, introspectiva.
Num quadro coagulante... Uma face bela e indagativa... Mas distante. Hora Cássia, hora Frida.

Ander 07/03/2007

Laura.

Que mistério é este mister que tu guarda dentro
Numa convulsão da alma, mas calma de leoa.
Inquietante e progressiva num vulgo reino dos outros
Levípede aparecer, que precoce a meu ver, ressoa.

Como num sopro, entoa um alfabeto dos homens velhos.
Decepcionando a ninfeta, a virgem cristalina, que representa.
Ambiguamente. E possamos desvendar, reciprocamente, nossos olhos.
No lodo repugnante da raça humana; a mesma eterna feroz besta.

Há chaves pendurada, eu as vejo, é transparente e se dissolve
Águas límpidas, todavia quais mãos tão límpidas que possam pegá-las?
E se sou Caim que não mata Abel, ainda assim posso tê-las?
Para abri-la num movimento inteiro, em 360º e despi-la da pelugem que a envolve.

Oh! Esfera, tão cheia de luz e tão súbita, inefável e inefável.
Que aguça meus sentidos e distorce os padrões bandidos
De tua existência doce, dos louvores do céu, arcanjos a cobrindo de véu.

Oh! Laura, tão cheia de luz e tão súbita, inefável e amável.
Conheceste assim um mundo sombrio, inexoravelmente febril.
De todas as raças todas, que não se entrega ao que se entrega.
Que se entrega nós, da lacuna que outrora me foi dita, surgindo.

RODRIGO. 18/06/2007

Evelaine.

Inclua-te ao espetáculo dos sentidos homem dos credos
E veja que o amor também se inclua a nossos desejos
Que a perversidade de deus em teu âmago nos proibiu
De nos amarmos sem véu para dentro de nosso deleito.

Prossiga o caminho reto, onde o paralelo e como um morto feto.
Sonhos meus começam de onde compartilham com quem traiu um adão sem vida
E quando a água sobre a terra cessou, posso senti-la sobre meus pensamentos.
Delirantes a ambos, frágeis, arriscados, sensíveis, mesmo estando abertos.

Complicado e indefinido é o formato das coisas, a perseverança na borda da fossa,
A vinda, o transcendental de nossas falas entregando na silhueta de formas novas...
Sombriamente afeiçoada, o esplendor de nossas almas que se encontram vivas.

Enxerguei o brilho de curta fala devorando num movimento os lábios
Pudesse eu devorar teus lábios, inclinar meu falo e dizer que a amo,
Numa coincidência, gostos e gestos espontâneos muito nos uniram.

Ander 02/11/2007